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Síndico de prédio vizinho ao que desabou disse que avisou autoridades sobre ‘vão’ aberto entre os dois imóveis

Síndico de prédio vizinho ao que desabou disse que avisou autoridades sobre ‘vão’ aberto entre os dois imóveis

admin

maio 6th, 2018

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Segundo Aparecido Dias, houve um ‘descolamento’ de 80 centímetros entre os dois prédios. Ele dorme na casa de um sobrinho desde o desmoronamento.

Aparecido Guimarães Dias, síndico do edifício Caracu, vizinho ao que desabou após incêndio no Centro de São Paulo, disse que avisou autoridades há cerca cinco anos sobre o “descolamento” de 80 centímetros entre os dois edifícios. Segundo ele, o prédio Wilton Paes de Almeida, que caiu na última terça-feira (1º), estava pendendo para a Avenida Rio Branco.

“O [prédio] que desabou, já faz anos que eu venho comunicando todas as autoridades, inclusive dando entrevista em jornal, que ele ia cair. Infelizmente não queria que caísse do jeito que caiu”, afirmou Dias neste domingo (6).

“Eu comuniquei os donos mesmo, a Prefeitura, mas ninguém fez nada, ninguém tomou providência nenhuma. A hora que abrir [liberarem o prédio para pegar os pertences], que eu puder subir no meu escritório, vou dar fotografia, mostrar a situação que estava isso aí. Estava descolando, ninguém deu assistência, completou.

Segundo Dias, perto da calçada abriu um vão de 10 centímetros entre os prédios. “Lá em cima abriu mais de 80 centímetros. Eu tive de colocar tudo, uma placa metálica que a gente coloca em cima de um buraco quando descola. Nós colocamos esse tudo, mas a parede estava tão inclinando que tava puxando o rufo para o lado de lá . O rufo já estava em cima do muro. Nunca procuraram arrumar o prédio. O que faltou foi assistência técnica no prédio”, disse.

Moradora no Caracu há 30 anos, Ivete Dias confirmou o que o síndico disse que há muito tempo se sabe sobre o vão.

“Eu tenho uma reportagem de 2012 que o síndico deu já falando desse vão . Na época, já tinha 19 centimetros de afastamento. Estamos em 2018. Um morador me disse que chegou a medir 40 centimetros. Estou tentando ver se por acaso esse morador tirou foto porque vai ser de grande valia. Nao foi apenas o síndico, lojistas, donos de restaurante e de prédios aqui na rua Antonio de Godoi ja reclamaram sobre isso e nada foi feito”. afirmou.

Ainda de acordo com o síndico, apesar de o Caracu estar interditado, ele não apresenta risco estrutural, mas está com a rede energia elétrica danificado e por isso está interditado. Os 96 moradores foram ao edifício neste domingo para retirar pertences.

O prédio Caracu, inaugurado em 1957, tem 115 apartamentos , três sobrelojas e três salas. Diasmora no prédio desde 1979 e e síndico há dez anos. O apartamento dele fica no oitavo andar. Desde a queda do prédio Wilton Paes de Almeida. ele dorme na casa de um sobrinho. Já conseguiu tirar roupas e remédios do seu imóvel.

Cinco imóveis interditados:

1 – Igreja – Avenida Rio Branco, 34 – Interdição total por falta de segurança.

2 e 3 – Prédio fino em frente ao local do incêndio – Rua Antônio de Godói, 8 e 26 (como o imóvel possui duas numerações, consideram-se duas interdições). O corpo de engenheiros da Defesa Civil avaliou que não há risco iminente de colapso do prédio.

4 – Edifício “Caracu” – Rua Antônio de Godoi, 35 – Interdição total por falta de segurança. Durante esta sexta-feira, será permitido o acesso dos moradores aos apartamentos para a retirada de pertences pessoais, como documentos e medicamentos. Ainda não há previsão para liberação total do prédio.

5 – Prédio no Largo do Paissandu, 132 (atrás do prédio fino). Interdição por falta de segurança.

A Prefeitura de São Paulo e o Governo do Estado afirmaram, por meio de nota, na tarde deste sábado (5), que 178 famílias vítimas do desabamento do edifício Wilton Paes de Almeida e dos imóveis interditados são atendidas para recebimento de auxílio-moradia.

Essas famílias deverão assinar os termos de adesão para recebimento do benefício e saque a partir da próxima semana.

Investigação

Em 13 de novembro de 2017, o MPF havia recomendado à Superintendência do Patrimônio da União em São Paulo (SPU) que providenciasse uma reforma estrutural emergencial no prédio, preservando suas caractarísticas arquitetônicas, e que fosse instalados equipamentos de segurança e proteção contra incêndio.

Em resposta, no dia 21 de novembro de 2017, o superintendente da União, Robson Tuma, afirmou que “priorizou a destinação do imóvel ao ente municipal (Prefeitura), que manifestou interesse em nele instalar equipamentos voltados às atividades culturais”.

A SPU também afirmava que a Prefeitura poderia providenciar a desocupação do imóvel e que comunicaria as recomendações do MPF à administração municipal, solicitando providências para a desocupação do imóvel e da apresentação de um projeto.

O prédio que desabou no Largo do Paissandu, no Centro de São Paulo, não tinha condições mínimas de segurança contra incêndio, segundo relatório da prefeitura obtido com exclusividade pela TV Globo. O documento foi finalizado pela Secretaria Municipal de Licenciamento em 26 de janeiro do ano passado. O local era uma ocupação irregular, e moradores afirmam que o fogo começou por volta da 1h30, no 5º andar, e se espalhou rapidamente pela estrutura.

Veja o que o documento indicou:

  • Ausência de extintores;
  • Sistema de hidrantes inoperante;
  • Ausência de mangueiras;
  • Ausência de luzes de emergências;
  • Ausência de sistema de alarme;
  • Instalações elétricas irregulares: fios sem isolamento adequado e expostos, além entrada de energia improvisada;
  • Elevadores inoperantes e fechados por tapumes;
  • Ausência de corrimão nas escadas;
  • Instalações do sistema de para-raios não puderam ser avaliadas, pois acesso estava bloqueado.

Na última quarta-feira, o Ministério Público Federal instaurou um inquérito para apurar a responsabilidade pelo incêndio e desabamento do edifício.

“A investigação acerca da prática de atos de improbidade administrativa foi iniciada na Procuradoria da República em São Paulo, pois a propriedade do prédio ainda seria da União, de acordo com as últimas informações de que dispõe o MPF. Além desta apuração, foi instaurado procedimento cível para acompanhar a realocação e possível indenização às famílias que ocupavam o imóvel”, diz a decisão do MPF.

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